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Posts Tagged ‘eleições’

Vivemos uma democracia Big Brother, ou seja, votamos naquele que aparece melhor na TV. O brasileiro se acostumou com essa idéia de escolher o sujeito que mais simpatiza, ou que “acha” ser o mais “legal”. Nessas eleições o clima é igualzinho no começo do ano, quando todo mundo fala de fulano que pegou sicrana, beltrano que deu escândalo, a gostosa que mostrou o seio, e assim vai. A corrida presidencial se transformou num reality show de mau gosto, e o público vai votar baseado nessa farsa midiática.

A discussão sobre aborto tomou conta da agenda política nesse segundo turno, como se isso importasse alguma coisa. Um candidato a presidente pode ser a favor do aborto, da maconha, do casamento gay, da eutanásia, da putaria e da cachaça, pode ser a favor do que diabos ele quiser, não interessa, pois não cabe a ele dar pitaco em temas referentes a sociedade civil, pra isso existe toda uma corja de legisladores conhecidos como senadores e deputados. O que a gente precisa saber de um candidato a presidente é qual política econômica ele vai aplicar, se acredita na privatização, na estatização, na distribuição de renda, na diplomacia, no austeridade fiscal? É isso que uma sociedade deveria discutir antes de sair digitando o voto nas urnas.

É chocante ver o nível de reducionismo dessas eleições. O brasileiro não problematiza mais os temas políticos e uma parcela importante da população não consegue ver, por exemplo, que ser contra a distribuição de renda e a educação é uma maneira muito pior de ser contra a “vida” do que se declarar abertamente a favor do aborto. Discutir apenas um tema com essa paixão toda é raso demais e não leva a lugar nenhum.

Acho que a culpa disso são esses reality show que o povo ficou viciado. O sujeito se acostumou a votar pela estampa. Afinal, qual profundidade ideológica ele precisa ter pra decidir entre o fortão, a gostosa ou o homossexual, no tal do “paredão”? Aí, nas eleições, a superficialidade é a mesma. Num debate, por exemplo, vale muito mais o jeito de falar do que o conteúdo em si. Se a candidata é um pouco rouca, se fala meio baixo, titubeia, não serve, sai fora, tá eliminada. Se o sujeito sorri, gesticula, é educado, ah, é nele que eu vou votar, olha só que cara bacana, que homem bom, digno.

No futuro, se os caminho politicos se encurtarem, é bem provável que tenhamos um Cléber Bambam no Palácio do Planalto.

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NOVOS GENERAIS

É fato que a bomba atômica mudou a história das guerras. Depois que os americanos derreteram Hiroshima e Nagasaki o impulso bélico do ser humano teve que se adaptar aos novos tempos. As grandes guerras deixaram de ser travadas em campo de batalhas para ganhar o terreno da mídia. E nesse novo cenário, ter um marqueteiro, é pura estratégia de guerra.

Se fossemos acompanhar a linha evolutiva dos generais, primeiro temos a figura do homem das cavernas segurando uma clave, um avanço em fast forward nos leva às figuras romanescas, como Pompeu, seguida pelos cavaleiros da Idade Média que comandavam os cruzados. Aí vem alguns árabes de turbantes com cimitarras segurando o alcorão, passando pelos modernos generais da primeira e segunda guerra e rapidamente pelos americanos na Coreia e Vietnã, até finalmente chega no exemplar mais moderno de general: Duda Mendonça, General Command in Chief de Brazil.

Desde a guerra fria que as coisas são assim. Antigamente qualquer líder gostaria de ter um exército forte ao seu lado, hoje eles querem é um bom marqueteiro. General não serve pra nada, armas, pra que? Por mais que um país se arme até os dentes e queira arrumar briga, sempre tem o risco de sumir do mapa em segundos.

Por isso o marquetero é a melhor pedida. Com ele até seu exército fica melhor. Afinal, vocês acham que aqueles soldados ultra-equipados que vemos em fotos do Iraque é obra de quem? Do exército? Que nada, aquilo é coisa de marqueteiro! Dá até pra imaginar a cena: o sujeito chega com sua gravata rosa e óculos de armação grossa. “Vamos equipar esse aqui, coloca um binóculo infra-vermelho, um lança-foguetes nas costas e um capacete com viseira nele. Isso, agora fica paradinho, você ai, bate uma foto, você aí de trás, filma ele, isso, filma, colhe uma entrevista. Põe a faca na boca agora gatão, como se fosse o Rambo, vai, rosna pra mim, rosna”. É assim que funciona o mercado da guerra hoje em dia. É um negócio como qualquer outro.

Marqueteiros são fundamentais em todas as esferas de poder. Para a guerra democrática moderna então, nem se fala. As eleições americanas deste ano foram um belo exemplo disso; com Obama e seu general marchando sobre Washington mais ou menos como Julio César fez com Roma após derrotar as tropas de Pompeu.

Sim, eu sei, nossas guerras modernas são bem chatas… mas, veja o lado bom, pelo menos elas aumentam nossa expectativa de vida.

 

General Command in Chief de Brazil

General Command in Chief de Brazil

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O POVO E SEUS BORDÕES

É como uma regra de marketing: em toda propaganda política tem que ter a voz do povão. Então os marketeiros filmam um monte de obras, apresentam uns números na tela e depois cortam pra um desdentado qualquer emendando um bordão: “A Marta é porreta”, ou “O Kassab é cabra macho”.

É como se essas falas endossassem a mentira toda que é a democracia no Brasil. O povo fica 4 anos na pura miséria, sem escola, sem trabalho, sem saúde, e ai, quando chega o período eleitoral, é o primeiro a querer aparecer.

O mais incrível, é que os caras não ganham nada! Geralmente a fala surge de alguma carreata ou comício, espontaneamente. O miserável abre um sorriso banguela e diz que tá tudo bem, e que “Marta é das nossas”.

Mas não, não tá tudo bem! Dá pra ver pela cara deles. O sujeito tá chupado, enrugado, seco, sem dente, mas sorri e levanta do dedão: “Kassab é trabalhador”.

Que coisa surreal!

Se eu fosse psicólogo acho que estudaria essa estranha relação do brasileiro com as câmeras filmadoras. É só ligar uma pra gente sair sorrindo ou sambando. Não interessa quem está na frente, pode ser Kassab, Marta, Gandhi ou Hitler, se estiver acompanhado de um cameraman, pode ter certeza que no mínimo três vão aparecer pra dar um depoimento sincero. “Esse homem aqui é trabalhador, ele tem meu voto!”. “Essa mulher pensa nos mais humildes!” “Esse carequinha aqui é porreta”. “Esse rapaz do bigodinho aqui que fala alemão é de confiança, eu sei, tem bom coração, pode votar”.

Um povo sem interesse e alheio, vá lá, agora um povo que dá pitaco onde não devia, porra, aí ninguém merece…

 

 

tirado de um dos meus blogs preferidos Kibe Loco

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POLÍTICA

A política é algo que me fascina. Não que tenha estômago para participar; política está mais pra vocação do que pra profissão. Mas gosto de acompanhar no jornal, de conversar, de analisar e ler casos antigos. Parece que é um mundo à parte, com sua ética moldada especialmente para um jogo de poder do qual não fomos convidados.

Sim, porque nesse mundo ou você é político, ou você é povo. Eu até gosto de ser povo, apesar de às vezes ter sonhos delirantes de imperador romano. É que ser povo às vezes é chato, uma gota no oceano, uma voz na multidão, um votinho de nada na úrna. Mas, por outro lado, ser povo é se eximir de responsabilidade, e isso é bom. Não só da responsabilidade de ter que cuidar de uma rua ou de salvar a economia, mas da responsabilidade de não poder mandar o próprio povo tomar no cu. Sim, pois essa é uma parte da ética especialmente moldada para a política, a tal responsabilidade moral, coisas que você não pode fazer, como mandar o povo tomar no cu, por exemplo. Não sendo político eu posso mandar o povo tomar no cu, por mais que esteja mandando a mim mesmo tomar no cu, esse me é um direito inelanienável.

Acho que por isso que eu não sou político, porque se fosse ia acabar roubando o erário publico. Não, longe de mim ser um sujeito com caráter corrompido, pelo contrário, sou um homem honesto, até. Meu problema é que me conheço. Ia ser honesto por alguns anos, mas depois, de tão saco cheio do povo e preso a uma ética velada de populismo, ia acabar encontrando no erário uma forma de vingança. E talvez seja por isso que os políticos nos roubem tanto, é a maneira deles dizerem que nos odeiam.

E é por isso que eu não vou abrir mão do meu direito de mandar o povo todo tomar no cu.

Pois sempre preferi ofensas mais diretas…

 

Para o caso de um dia entrar para a vida pública, fica abaixo minhas desculpas:

(Meu povo, posso garantir que essas palavras foram escritas no calor de um momento de insanidade momentanea e não condizem com a momentaniedade do meu pensamento momentaneo. E digo mais, estava possuído por alguma entidade maligna de uma oposição já falecida. Em resumo: não fui eu!)

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Eu nunca pisei nos Estados Unidos, mas de uma coisa não dá pra reclamar: os caras são transparentes! Dá pra sacar mais ou menos como é aquela sociedade só acompanhando as notícias das eleições pelos jornais. E é ai que eu me pergunto: o que diabos é um republicano?

Acho que não existe um equivalente nacional pra o que os republicanos representam. São um bando de conservadores assustados, afundando a América em medo e ódio. Um partido que não acredita no aquecimento global, em soluções pacíficas, em globalização. Os caras são o puro complexo do império dominante.

Os democratas, por outro lado, parecem mais interessados em agradar do que questionar. Não é um partido com ideologia constituída em discursos pétreos. Geralmente quando tem de lidar com perguntas como aborto, casamento gay e pena de morte, titubeiam e acabam sendo vagos.

É um duro embate. Em minha opinião, que vejo de fora, é como se os democratas fossem mais ligados a essência do mundo e estivessem na vanguarda do pensamento humano, acompanhando melhor os anseios e desejos desse mundo globalizado. O problema é que não dá pra aplicar isso na prática, pois a mentalidade americana ainda é a do red neck caipira que atira antes e pergunta depois.

No último debate deu pra ver bem essa frustração na cara de Obama. Enquanto seu geriátrico conservador rival dizia que os democratas “trariam nossos meninos de volta derrotados do Iraque”, Obama tinha os olhos perdidos em algum ponto. No fundo ele sabia que a vitória naquele momento não importava, que aqueles “meninos” nunca deveriam ter sido enviados tão longe lutar uma guerra estúpida, mas, ao mesmo tempo, ele também sabia que isso não era coisa pra se dizer em cadeia nacional.

“O que? A vitória não importa? Tá maluco? Os Estados Unidos da América não aceita derrotas!”

Nesse sentido, Change We Need passa a ser quase uma súplica

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