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Posts Tagged ‘Democracia’

Vivemos uma democracia Big Brother, ou seja, votamos naquele que aparece melhor na TV. O brasileiro se acostumou com essa idéia de escolher o sujeito que mais simpatiza, ou que “acha” ser o mais “legal”. Nessas eleições o clima é igualzinho no começo do ano, quando todo mundo fala de fulano que pegou sicrana, beltrano que deu escândalo, a gostosa que mostrou o seio, e assim vai. A corrida presidencial se transformou num reality show de mau gosto, e o público vai votar baseado nessa farsa midiática.

A discussão sobre aborto tomou conta da agenda política nesse segundo turno, como se isso importasse alguma coisa. Um candidato a presidente pode ser a favor do aborto, da maconha, do casamento gay, da eutanásia, da putaria e da cachaça, pode ser a favor do que diabos ele quiser, não interessa, pois não cabe a ele dar pitaco em temas referentes a sociedade civil, pra isso existe toda uma corja de legisladores conhecidos como senadores e deputados. O que a gente precisa saber de um candidato a presidente é qual política econômica ele vai aplicar, se acredita na privatização, na estatização, na distribuição de renda, na diplomacia, no austeridade fiscal? É isso que uma sociedade deveria discutir antes de sair digitando o voto nas urnas.

É chocante ver o nível de reducionismo dessas eleições. O brasileiro não problematiza mais os temas políticos e uma parcela importante da população não consegue ver, por exemplo, que ser contra a distribuição de renda e a educação é uma maneira muito pior de ser contra a “vida” do que se declarar abertamente a favor do aborto. Discutir apenas um tema com essa paixão toda é raso demais e não leva a lugar nenhum.

Acho que a culpa disso são esses reality show que o povo ficou viciado. O sujeito se acostumou a votar pela estampa. Afinal, qual profundidade ideológica ele precisa ter pra decidir entre o fortão, a gostosa ou o homossexual, no tal do “paredão”? Aí, nas eleições, a superficialidade é a mesma. Num debate, por exemplo, vale muito mais o jeito de falar do que o conteúdo em si. Se a candidata é um pouco rouca, se fala meio baixo, titubeia, não serve, sai fora, tá eliminada. Se o sujeito sorri, gesticula, é educado, ah, é nele que eu vou votar, olha só que cara bacana, que homem bom, digno.

No futuro, se os caminho politicos se encurtarem, é bem provável que tenhamos um Cléber Bambam no Palácio do Planalto.

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O New York Times está fazendo uma série de vídeos sobre as eleições americanas. Eles entrevistam delegados, senadores, assessores, mas, principalmente, o americano comum – os tais red necks, ou hillbillies, como eles chamam.

É engraçado ver como os valores de certas nações mudam drásticamente. Um candidato americano deve enfrentar questões morais cabeludas como: aborto, traição, religião, gravidez na adolescência. Qualquer escorregada é analisada de perto pelos caipiras, que, como guardiões das morais e bons costumes, parecem ter paradigmas concretos do que realmente querem como nação.

Os republicanos, por exemplo, enfrentaram uma saia justa com a escolha de Sarah Palin, governadora do Alasca, para encabeçar a vice-presidência na chapa de Mccain. É um absurdo que a filha dela, de 17 anos, estaja grávida! Como pode uma coisas dessas? Uma republicana!

Por aqui, tudo o que a gente pede pros nossos políticos é para não serem corruptos. Eles podem comer quem eles quiserem, aparecer com modelos sem cacinha, transar com a jornalista gostosa, encher a cara, fazer dancinha no Congresso, relaxar e gozar. Podem fazer tudo… a gente deixa! Só pedimos que os filhas-das-putas não nos roubem. É só isso que a gente pede!!!

… mas, não, os desgraçados continuam.

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