A sensação de sair do avião deve ser sempre a mesma – afora um ou outro que chega nos únicos dois dias de frio do ano, é sempre a mesma porrada térmica: do ártico ar condicionado para o desértico calor natural. Os metereologistas nem devem ter muito trabalho por aqui. Desconfio que se repetirem todos os 365 dias do ano que a temperatura vai ser de sol e calor eles vão errar talvez duas vezes no ano. O que tá ótimo (em São Paulo eles erram esse tanto por dia).
Era dia 28 de fevereiro, um dia quente. É verdade que dessa vez era de madrugada. Não que seja grande coisa, o sol frita tanto a cidade durante o dia que a noite ela arde, mais ou menos nem sua pele quando você esquece de passar protetor na praia.

Aeroporto internacional Marechal Cândido Rondon
O taxi me deixou no Albergue do Pantanal, um com o selo da famosa rede de Hostels conhecida internacionalmente. Aí tá uma dica aos viajantes: é sempre bom confiar no selo da Hostelling International. Eles seguem um padrão, quartos limpos, baratos, práticos e simples. Os viajantes profissionais, de carteirinha, costumam rodar o mundo nesses lugares. Dizem que um Hostel e um guia Lonely Planet é tudo o que você precisa pra rodar por aí. Os albergues são ótimo lugares pra conhecer gente, trocar informações e topar umas gatas. Eu mesmo já dormi em vários e posso dizer: vale a pena!
Outra dica importante é: não confie de jeito nenhum no Hostel de Cuiabá!
O sujeito que montou o “Albergue do Pantanal” é um pilantra de marca maior. Ele não teria a menor condição de adquirir uma bandeira de Albergue Internacional. A mais ridícula fiscalização o tiraria da lista, se é que ele faz parte dela. O problema é que esse negócio de fiscalização tá fora de moda por aqui desde a época em que a coroa portuguesa tinha interesse em impedir que garimpeiros saissem por ai com ouro sem pagar o devido quinto.
Dei-me o luxo de pegar o quarto mais caro. Sim, afinal não era mais um mochileiro qualquer, estava a negócios, mais especificamente indo trabalhar na afiliada da Rede Globo de Cuiabá! É meus amigos… mesmo que o salário não seja lá grandes coisa, o cargo exige certa pompa. É como ganhar um VIP para uma festa chique; você pode não ter dinheiro para tomar drinks caros, mas é bom agir como se tivesse o direito de estar alí.
Mas o recinto era pura decepção com cheirinho de mofo. O barulho do ar-condicionado lembrava a turbina do avião. O pó que saiu de lá de dentro e jorrou pelo quarto parecia um efeito especial de algum filme do Spilberg. Tirei os sapatos e enquanto procurava pelo chinelo uma barata tentou passar impune se escorando pela parede. Crunch! Esmaguei com o sapato.
Merda! Constatei que tinha esquecido o chinelo. Sempre esqueço a merda do chinelo. Caminhei flexionando o dedão apoiando a parte de trás e da frente numa espécie de arco. É uma técnica especial minha que visa tocar o mínimo possível o chão sujo com a palma do pé; adquiri esse dom após anos esquecendo os chinelos nas viagens, tanto que hoje em dia meu pé já adquiriu certa facilidade anatômica para o feito.
Tomei um banho para tirar o suor e deitei ao som da turbina do 767.
Respirei fundo… Sim, estava de volta!
Esta técnica especial conheço muito…..rs
Estou vendo essa parede colorida pela primeira vez na vida!!
Ok, só passei nesse aeroporto 2x, mas eu fiz o check in na Tam =S
Acho que o calor cuiabaense mexeu com meus neurônios… rs
bjos