Voltei a trabalhar na TV em um momento de relativa tensão. Tudo por conta da mal-caratice das outras poucas emissoras que se aproveitam da ignorância de uns muitos. Veja só você, leitor das bandas de fora, que o esporte do momento em Mato Grosso é atirar pedras na TV Centro América, afiliada da Rede Globo em Cuiabá. Poderia tratar-se da tão esperada e almejada revolução apregoada pelos bolcheviques modernos, a tal revolução não televisionada… mas não! Tudo isso é por conta de uma lenda urbana que quer atribuir à emissora uma suposta má-vontade para com os projetos de “Cuiabá sub-sede da Copa de 2014″.
Mas quais motivos teriam os donos da emissora para tal ato? Aparentemente nenhum, mas jornais e programas de TV da Gazeta acusam a Centro América de boicotar Cuiabá na disputa. E é declarademante! Eles tem um programa que passa ao meio dia chamado “Cadeia Neles”, apresentado por um tal de Clovis Roberto. O sujeito é desses tipinhos que a gente vê na programação da Record ao redor do Brasil; eles parecem que são todos iguais. O fato é que o cara é um malandraço de primeira, começou a falar da concorrente e o negócio pegou.
Um dos motivos que ele alega é o de que o Seu Zahran, dono da Rede Matogrossense de Televisão, estaria de conluio com a emissora carioca para denegrir a imagem do Estado e facilitar as coisas para Campo Grande. Como argumento eles dizem que o empresário mora em Mato Grosso do Sul. Ai a paranóia foi geral: vereadores e deputados foram a tribuna, matérias acusatórias saíram nos jornais, o povo começou a reclamar e as equipes da TV Centro América passaram a ser hostilizadas nas ruas.
Não quero fazer o papel de advogado do diabo e defender a Globo, até porque não tenho procuração para tal nem ganho um salário de Suzana Vieira. Mesmo trabalhando lá tento manter um senso crítico e diria, sem titubear, que estava sendo armado um golpe nos bastidores, caso estivesse. Mas não, a coisa toda é bizarra demais, é pura paranóia urbana misturada com oportunismo dos concorrentes.
Em contra-partida, enquanto o povo perde tempo acusando a TV de boicotar os sonhos de Copa, o prefeito segue com uma propagandinha safada em horário nobre – ele colocou uns cuiabanos rindo e sambando pra no final dizer que se todo mundo pagar o IPTU direitinho a cidade vai ficar bonita pra receber os gringos. Meio cara de pau, mas vá lá…
Não sou especialista em Mato Grosso, mas tenho uma teoria para toda essa demência coletiva. Ao que parece, o estado está jogando no momento uma partida importantíssima contra seu maior adversário, Mato Grosso do Sul. A rixa entre os dois estados é antiga, remonta da década de 70, quando dividiram o antigo Mato Grosso em dois. Foram vários os motivos para a míngua, um dia escrevo a respeito, mas o importante é que o cuiabano, ou melhor, o mato-grossense, odeia essa história de divisão. Desde então os dois estados vivem às turras numa rivalidade pior do que São Paulo x Rio, Porto Alegre x Curitiba, Manaus x Belém, juntas.
Aos poucos vou sacando o povo daqui. Eles parecem ser gente de brios fortes. Valorizam bastante a própria cultura e adoram tudo que sai desse chão. Mas, sei lá, parece que eles tem um tantinho de complexo de inferioridade. No fundo acho que é por conta do raio da separação. É como perder a mulher num divórcio, você sempre quer mostrar que está bem, que superou, que tá cagando e andando… mas lá no fundinho dá aquela raiva danada por terem te deixado.
Dizem que rixa sempre teve ares de superioridade por parte de MS. Eles comemoram todo ano o dia da “independência”, exibem números melhores no IDH, são orgulhosos das fazendas mais “modernas” e do Pantanal “mais desenvolvido”. Vendo a coisa toda por esse ângulo é fácil entender a força com que os mato-grossenses se apegaram a causa da “Copa”. Ser uma das 12 sub-sedes é uma revanche histórica! Seria como ganhar na loteria e passar de Mercedes na casa da ex-mulher.
Aqui em Cuiabá todo mundo está apreensivo, torcendo, rezando. Qualquer coisa que atrapalhe minimamente é passível de violentas reações, como, por exemplo, o que está acontecendo com a Centro América. Por isso eu digo: o povo e seus brios eu entendo…
Não entendo é os pilantras da Gazeta.
Mato Grosso é, então, a síntese perfeita do Brasil.
Olha, se for pra deixar infeliz o Blairo Maggi, o Blairo nobre da galinha azul, eu prefiro Campo Grande.
Mas é por essas e outras que eu era contra a copa no Brasil. Terrível.
Já to com saudade de você e imensamente arrependida de ter deixado você ir pra tão longe sem pestanejar.
Relaxa, o Paulinho aí de cima sou eu.
haha
beijos, medza