Cuiabá é uma cidade de clima extremo. Morar aqui deve ser algo parecido com o Saara ou a Antártida; não dá pra simplesmente sair por ai. Aqui as pessoas vivem em reverência ao meio, o clima é o ator principal. Faz calor o ano todo, tem um ou dois dias de frio, mas no geral morar aqui é girar incessantemente numa máquina de assar frango gigante.
Talvez por isso os cuiabanos sejam a evolução da espécie. Em uma era de aquecimento global, pode-se dizer que eles são o design do futuro. Talvez no dia em que a Europa começar a arder em 36 graus no inverno veremos um cuiabano passando de touca e luvas no Champs Elisée, como se nada estivesse acontecendo.
Por isso devemos aprender com eles! Recomendo a todos passar uma temporada por aqui a fim de aprimorar a genética. No começo pode ser complicado, mas com o tempo você aprende alguns truques. Um deles é: o suor é seu amigo. Sim, veja você, para a maioria dos paulistanos o suor é algo incomodo, nojento, chato, mas aqui ele faz parte, não adianta correr, ele sempre estará junto de ti. O que é bom, as raras brisas da cidade quando batem no pescoço melado são como breves respiros de hortelã.
Outra dica é economizar nas roupas. Não dá pra ficar trocando de camiseta duas ou três vezes ao dia. O jeito é vestir uma, suar, suar, suar e suar. Você vai ficar melado, mas com o tempo aprende que suor não é sinônimo de sujeira. Talvez em São Paulo seja, pois a transpiração se mistura com o CO2 e toda sujeirada da poluição, mas por aqui é só lubrificante glandular; garanto que se seu desodorante for bom nem vai cheira mal.
O lado bom da história é acordar. Dormir é um tanto dificil, mas acordar é um prazer. Levanto todo dia às seis da manhã para ir trabalhar e posso dizer: não existe sensação melhor! É como acordar ao meio dia, com um sol de rachar invadindo a janela e queimando tudo. Você levanta molhado de suor e vai direto pra baixo de uma ducha gelada.
Não existe maneira melhor de começar o dia.
Caro, tirando a última dica, eu cumpro as outras em São Paulo. Porque é difícil achar camisas do meu tamanho, eu as uso até feder, só daí eu lavo, e nesta ciranda vou até a camisa rasgar de tão velha. Minha quase me odeia por isso.
Ah, e tem um outro lugar que também é bem útil para esse tipo de estágio, o DF.
Nada como o sol do meio dia no Planalto Central. Desse nas cabeças como se fosse uma torre. Pesado e denso.
Realmente é incrível como, com o tempo, o suor já não incomoda tanto e é até menos percebido por todos.
Suar faz parte e, daqui a pouco, vem a seca!
Abraço, Foresti!
Caprioli