O tal celular recusado pelo meliante cuiabano tem mais de cinco anos. É um Nokia velhinho, mas que funciona até que bem. Se for pensar, cinco anos não é muito tempo. Não deveria ser o bastante para trocar de celular. Você não fica trocando sua geladeira de três em três meses, nem seu forno microondas, ou o fogão. Como diabos conseguiram colocar na nossa cabeça que temos que trocar de celulare todo natal, ano novo, pascoa, dia das mães, dos pais, da secretária, Iemanjá…?
Isso é coisa das operadoras e fabricantes de aparelhos, que te fazem crer que trocando seu Nokia, Sansung, LG, Shing Ling periodicamente, você vai pegar muito, mas muito mais, mulher! Sim, porque trocar de aparelho é algo sexy, vital, rotineiro, quase um item da higiene pessoal humana. Tome banho, escove os dentes três vezes ao dia, passe fio dental e troque de celular a cada dois meses, pois se não fizer isso você é um hippie sujo dos anos 70 e nunca vai pegar aquela gostosa que trabalha com você e tem um aparelho com ring tone da Bioncé
Bom, eu tomo banho todos os dias, escovo os dentes também, mas não estou a fim de adquirir um celular novo a cada lançamento. Até porque, li uma matéria certa vez que fala sobre a contaminação do solo por conta das baterias dos aparelhos, parece que são uns trinta metros quadrados de contaminação, ou quase isso.
Mas, depois daquela tentativa de roubo, pensei seriamente em comprar outro aparelho. Sei que parece ridículo, mas senti uma espécie de fracasso social, do tipo: pô, se nem um bandido quer te assaltar mais, a coisa ta feia!
Voltei para Sampa. Engoli o orgulho. Fiquei com o celular. E aí…
…aconteceu de novo…
Continua…