Tinha uma habilidade da qual se orgulhava, transformar paixões em ódio. Não que racionalizasse em cima disso, não, no fundo nem fazia de propósito, era assim… porque era assim. Gostava de ver a coisa toda transbordar, como leite fervido, sujando tudo.
Paixão nada mais é a do que solução de amor e ódio dissolvidos. Um veneno? Sim, veneno do forte, por vezes mortal, mas indubitavelmente saboroso. Saboroso para os iniciantes, pois para aquele enfadonho ser, que era uma espécie de sommelier das mais finas paixões, o sabor puro e simples não lhe trazia mais agrado nenhum. Precisava modificar, experimentar, transfigurar! Tinha experimentado o suficiente para aprender a dissecar o sentimento e descobriu que apreciava na verdade os cristais de ódios que ficam quando o amor todo evapora. Gostava de mastigar isso… que nem chiclete.
Pois, certa vez, na posse de um novíssimo frasco cheio de paixão, nosso sommelier levou ao fogo. O líquido evaporou e ele olhou espantado sem encontrar os tais grãnzinhos de ódio… Frustração!… Não tanto pela falta do ódio empedrado, mas sim por ter se dado conta de que, mesmo não sendo lá um grande apreciador do líquido, perdeu a oportunidade de, ao menos uma vez, experimentá-lo em estado puro…
Mas já era tarde demais. Tudo evaporou…
E foi condensado em outra horta…

foi...
bonito. nem parece que foi um coração de gelo q escreveu.