Eram uma Sociedade Secreta, um dos braços da maçonaria internacional, cuja especialidade era a penetração de festas e eventos sociais. Chamavam-se Ordem dos Ébrios Cavaleiros Urbanos. A diretoria consistia em cinco membros, que organizavam e entravam secretamente nos festejos mais longínquos e distantes em busca de diversão e mocinhas indefesas.
A tarefa naquela noite era arriscada. O prolixo legionário responsável pelo departamento estatístico fez as contas e alertou sobre um possível desastre: “Certamente há grande chance de nos encontrarmos em desvantagem pelo baixo número de fêmeas, mas, caso isso não ocorra, as chances de sucesso crescem na mesma proporção, pois, para cada mulher a mais, o que se segue é um número de concorrência negativo”. Apesar das poucas chances de sucesso, o espírito mercantilista do grupo foi mais forte e todos assumiram os riscos da empreitada.
Passaram antes no Carrefour para, num ritual iniciático, adquirirem um bem precioso. O segredo para todos os males estava naquele litro de cerveja importada. Era o elixir que curaria e fortificaria o grupo em caso de um grande revés – o tesouro secreto da maçonaria.
Montaram em seus cavalos, engataram a quinta e saíram em peregrinação à Terra Prometida.
Na chegada, tensão. Entraram em fila indiana; silvos tensos de: “ihhhh fudeu”, eram proferidos pelos que atravessavam a porta. A situação era pior do que esperavam. Eram como uma matilha de leões famintos numa estufa de flores, ou, para melhor ilustrar a metáfora, como Tacoberry e Moses Hightower adentrando sem querer o Blue Oyster Bar em “Locademia de Polícia”.
O grão-mestre do grupo perímetrou a área. “É o seguinte, existem duas ou três disponíveis, não vai dar pra todo mundo, mas em compensação a concorrência no local é nula”. Fizeram o cumprimento secreto da Ordem dos Ébrios Cavalheiros e juraram pelo Grande Pegador do Universo honrar a noite com pelo menos uma bitoquinha heterossexual.
A cerveja importada, arma secreta do grupo, foi levada a um esconderijo pelos braços de um dos membros da Sociedade Secreta aliada da Ordem do Arco-Íris da Lua Gay. Era algo que deixava a todos tranqüilo, pois, caso tudo desse errado, podiam ainda contar com o geladinho liquido sagrado para curar os males.
Acuados estavam os Cavaleiros. Eram como espartanos se defendendo de um exército de Xérxes rodrigo-santorianos. Fechou-se o circulo, decidiram traçar estratégias. “Ok, uma parte fica aqui dando porrada nesse saco de pancadas, coçando as genitálias e cuspindo no chão, enquanto isso eu e mais dois vamos até a sala onde tá rolando o som. Se não voltarmos em 5 minutos, vocês já sabem… sumam daqui”.
A arte da balada é como a arte da guerra, a virtude principal de um homem de campo nos dois casos é a mesma: Atenção! É necessário atenção, principalmente por parte dos generais. A diretoria da Sociedade é um organismo único, de idéias uníssonas, com harmonia de ordens e atitudes. Mas sempre existe um animal mal-informado, como o assessor jurídico, que com suas tendências homer-simpsinianas saiu perímetrando a área sozinho atrás de espólios hetero-feminino, mas, quando de face com o tesouro secreto do grupo, abriu-o sem cerimônias, tomando por conta própria uns goles.
No front, a situação era complicada. A Ordem dos Cavalheiros Ébrios estava cada vez mais acuada. Um dos ilustres membros sofria pesadas cantadas gentis de difícil esquiva. Acuado num canto com uma lata de cerveja nas mãos, ele se viu rebaixado na cadeia alimentar do sexo; estava agora em condição de presa. Uma comitiva de resgate foi organizada, mas acabou desestruturada durante o trajeto.
As luzes apagaram. Gritinhos de “uhuu” foram ouvidos no salão. Alerta vermelho. Era hora de reunir a todos e verter o liquido mágico. Uma comitiva especial foi enviada para trazer o tesouro e refestelar os ânimos. Mas, na volta… só más notícias. Alguém havia consumido grande parte e não daria mais de um gole para cada.
Raiva, fúria, dor. Os sentimentos eram os mais intensos. Uma fagulha de guerra surge no ar. “Vamos dar porrada nesses viadinhos! Eles roubaram nossa cerveja!”. Ao que a ala jurídica chega, totalmente desinformada, e confessa o crime: “Ah, a cerveja era de vocês?”.
Combalidos pelo fogo amigo, sem ânimo e cansados, os membros resolvem se concentrar na oferenda aos céus para poderem partir de vez daquele perigoso local. Em uma rápida deliberação decidem usar Aquiles, o guerreiro de emergência.
A vítima é uma morena, alta, sensual de tendências hétero. O grupo chega para Aquiles, que dorme bêbado numa cadeira. O grão-mestre joga água em seu rosto, desfere uns tapas motivacionais, arma-lhe com uma lata de cerveja e diz: “Vá Aquiles! Que haja glória em vosso combate”…
A casa toda se transforma num grande Coliseu, com rufares de tambores e gritos de incentivo: Aquiles, Aquiles, Aquiles!
Sem muita conversa a vítima é derrubada. Aquiles inicia uma seqüência de golpes fatais. Porrada, soco, ponta-pé…
Não, não Aquiles! Não era pra bater…

A verdade é que Aquiles foi o herói do dia e ganhou um pote cheio de âmbar só para si.
Mas uma dúvida ainda paira: Será que o nobre Cavaleiro do Oriente enfiou a lança no coração de Tiamat?
Enfiou nada, mas que era um Tiamat, disso não tenha dúvida… tanta princesa jogando as tranças e vocês com essas de caçar dragões! pros diabos! depois tiram fotos sentando um no colo do outro, em surubas infindáveis…
hahaha. Princesas, só se forem como a do Monty Python no “Em busca do cálice sagrado”
Ilustre membro sofredor! Ô DÓ.
Vocês confirmaram a tendência hétero da morena? Cuidado, numa festa dessas pode-se levar gato por lebre. João, faça a revelação!
AHAH,. Eu não senti nada.
que mané Tiamat! Fui na balada só pra dançar.