Perto de onde moro tinha um casarão antigo abandonado com um cartaz de vende-se na frente. Todo dia que passava ali me imaginava comprando aquele portentoso imóvel. Seria um belo investimento. Dava pra ver umas colunas jônicas, um chafariz seco e canteiros de flores vazios na frente, imaginava o que não teria lá dentro.
Claro, se tivesse dinheiro pra comprar, certamente teria dinheiro pra reformar. Primeiro imaginei construir uma balada diferente, algo alternativo, o retrô do retrô. Seria uma festa que seguisse o padrão da elite cafeicultora de São Paulo da década de 30, cartolas estilizadas, espartilhos neons, êxtase e champanhe.
Depois imaginei algo parecido com o filme “De Olhos bem Fechados”, uma casa de putaria de máscaras macabra. Só que, lógico, adaptada pro clima brasileiro; com máscaras de carnaval e churrasquinho pra descontrair. Dava pra misturar também uma decoração indiana, com incenso e ilustrações de Kama Sutra nas paredes, além de uma músiquinha russa na vitrola e uns anões besuntados carregando bandejas com KY e camisinhas.
Outra idéia era criar uma espécie de parlamento grego (acho que nessa me deixei inspirar pelas colunas). Seria uma casa de encontros, mas não encontros sexuais; claro que quem quisesse transar, poderia, mas a princípio seria só de idéias mesmo. Todos tirariam os sapatos e vestiriam togas brancas antes de entrar. Em todo canto, uma conversa diferente, a regra geral era trocar idéias. Economia, política, astro-física, religião, filosofia, ou o Corinthians. Durante o papo, lindas garçonetes, todas pós-graduadas e de beleza grega, trariam vinho e pão vestindo apenas sandálias. Além de serem aptas a contribuir para a dialética dos grupos, elas também tinham carta branca pra transar com quem quisessem.
Por último pensei em algo selvagem. Talvez colocar o máximo de vegetação possível dentro da casarão. Seria uma espécie de refresco natural para os urbanóides paulistanos. Estufas de flores, árvores furando o telhado, capivadas, araras, um laguinho com carpas e ninfas nuas. Tudo para o sujeito dar uma relaxada, abraçar algumas árvores e transar num ambiente natural, como nos bons e velhos tempos de Adão e Eva. No folheto dava pra colocar algo do tipo: venha para a floresta, go wild! (urbanóides adoram coisas em inglês).
Para minha surpresa no mês passado eles tiraram o aviso de “vende-se”. A coisa andou a passos largos, pintaram tudo de branco, reformaram os canteiros, arrancaram o chafariz. Hoje colocaram a fachada do novo negócio: Norah calçados. Sapatos?! Um baita casarão pra vender sapatos!? Maldito aquecimento econômico!
Espero que quando eu crescer e tiver dinheiro o capitalismo não seja mais tão chato e sem graça.

Como pode isso dar dinheiro?
HAhah. Se fosse nos anos 50 poderia ser pior: um loja de pregos
sapatos são legais…
Ola Pessoal!
Para as mulheres que como eu não podem ficar sem comprar um par de sapatos novo por mes ,deem uma olhada na nova loja virtual de calçados femininos no site http://www.exclusiveshoes.com.br é um mais lindo que o outro.
Beijos Luciane