Celebridades, um dos maiores enigmas de nosso tempo. O que são celebridades? Alguém já parou pra pensar nisso? Paris Hilton, Britney Spears, Michel Jackson, seres inúteis e estranhos que aparecem a todo o momento e em todos os lugares. São como uma monarquia teocêntrica, com milhões de adoradores sádicos e cruéis rezando missas de maldade em revistas de fofoca.
Britney foi presa, Michel faliu, Paris apanhou, notícias assim enfeitiçam o público e dão um certo prazer discreto, algo como um comichão de vingança, um silvo de prazer sádico. Sim, é ridículo supor que a humanidade realmente se importa com celebridades, a gente quer mesmo é a cabeça deles numa bandeja. Mas, por quê?
Fico pensando se na Grécia antiga era assim? Será que Platão era odiado pelo público? Será que cada fez que Aristóteles era pego no bafômetro uma multidão sorria de prazer? E na época renascentista? Será que Michelangelo e Da Vinci saiam pra balada, enchiam a cara e apareciam em pinturas degradantes, vomitando na sarjeta?
Talvez esteja ai o motivo de odiarmos nossas celebridades. É porque olhamos pro passado e vemos que existiram outras bem mais legais, e a nós só restou essas aberrações loiras e estúpidas.
Ou então a humanidade não conseguiu se livrar daquele espírito monarquista aristocrático divino de escolher alguém, dar-lhe tudo e odiá-lo por isso. É como se fosse um bode expiatório às avessas, onde a gente expia nossos desejos nos desgraçados que tudo podem.
Dizem que o espírito da revolução francesa atravessou o mundo e o tempo. Mas quando vejo Paris Hilton arrotando brioches e cagando pros problemas mundiais, só me resta a certeza de que o espírito de Luiz XIV também vaga entre nós.

Não tem pão? Ora, comam brioches... seus pobres!